Escrever é deixar um legado memorável, não apenas ao mundo, mas a nós mesmos, e por isso, escrever também é imortalizar a alma, de modo que, ao escrevermos, podemos atingir diretamente tantas almas aflitas e com sede...Sede de quê? Sede do encontro, do maravilhar-se na experiência de se fundir ao texto, de nele mergulhar, se envolver, se encantar e ter aquela sensação da existência pura, sem chão, sem muletas e sem máscaras. Tive grandes momentos de revelação, de despertar ao me deparar com textos cotidianos, sobre os mais divertidos percalços da vida, mas que neles residiam doses poéticas, alto teor filosófico e estas eram, fundamentalmente, os ingredientes secretos para uma verdadeira sedução literária. Não havia rótulos, paradigmas, não havia necessidade de se identificar, a rigor, o estilo, a métrica, os ritmos, pois estes se revelavam por si mesmos, na mais pura expressão de autenticidade. E a literatura, enquanto arte, necessita de certo desprendimento da ciência literária para nos atingir, nos afetar.
O domínio pela palavra, sem dúvidas, é um dos mais significativos recursos de que nos valemos para enfrentar os ruídos desordenados e incompreensíveis que nos deparamos a todo momento. A palavra reordena, resignifica, reedita, clarifica e, permanece, ecoa, resiste ao tempo.
As tecnologias da comunicação contemporâneas, por outro lado, tem atuado na redução semântica e poética do discurso. Diálogos curtos, estórias previsíveis, sempre regadas ao sono alienante das expectativas fugazes; dos finais felizes, do destino agonizante dos vilões. A eterna paixão por heróis e ódio aos vilões, além de um abandono lamentável da Filosofia, da poesia e dos grandes clássicos que imortalizaram-se durante séculos, não porque diziam o que se esperava encontrar nas páginas de um livro, mas porque diziam sempre o "não dito" e os "entreditos", porque incomodavam, perturbavam, desafiavam a ordem vigente, traziam à luz revelações sobre temas que nem todos tinham suficiente nível de consciência e de percepção para apreendê-los, tampouco, coragem para escutá-los. Shakespeare, Dante de Aligheiri, Goethe, Nietzsche, Dostoiévski, foram alguns destes grandes nomes que ousaram empreender uma aventura nas águas violentas das paixões humanas e fez da ficção uma crítica, uma denúncia, um periscópio em meio às turbulências dos afetos. Não tinham qualquer pretensão de fazer-se compreendidos, porque, fundamentalmente, a incompreensão era parte daquele momento do "nirvana", do despertar, da sensação de uma iluminação profunda, a clarear os escombros da existência suprimida nos moldes ficcionais do cotidiano.
A literatura ficcional contemporânea, [com poucas ou muitas exceções] é uma reprodução das velhas formas maniqueístas de se produzir uma estória. Com poucas exceções, vemos as fórmulas hollywoodianas e as técnicas dos best sellers presentes para tornar as estórias compatíveis com as expectativas do leitor contemporâneo, amplamente influenciado pelos espetáculos da mídia e das tecnologias cinematográficas, porém pouco habituado aos nuances de textos de maior densidade, que demandam um perscrutamento mais amplo, uma leitura analítica e, ao mesmo tempo, uma imaginação que lhe permita alçar voo... Não falo de "semideuses", integrantes dos círculos intelectuais, nem dos meticulosos em sua rigidez formal. Falo de gente que fala sobre gente, mas fala na mais profunda expressão de autenticidade. Dos que fazem poesia do cotidiano, dos que resgatam gênios no absurdo da vida fugaz. Falo de autores anônimos que criam ficções que, além de tocar uma alma, deixa-nos naquele estado de perplexidade, momento em que as peças do quebra cabeça se encaixam, momentos em que, em fragmentos, encontramos o fio condutor que nos permite "juntar os pedaços".
Desejo, pois, que todos os autores anônimos, que viveram no silêncio da alma, as mais fantásticas revelações, que enxergando além das margens do concreto, puderam fazer de suas inquietações, paixões e desatinos, obras capazes de reverberar os ares de tempos em que poesias eram um arsenal de aforismos e discursos sobre os mistérios e temores da alma. Tempos que a prosa falava para além dos imediatismos, época em que não havia qualquer cuidado em flertar com o surreal, o insano, o inverso...
Aqui, vale ressaltar, não me refiro apenas aos intérpretes contemporâneos do pensamento magistral da nobreza literária de grandes gênios do pensamento, mas refiro a estes tantos "anônimos" que caminham para além das superfícies rasas, daqueles que não tem qualquer receio em parecer insanos ou excêntricos em meio às suas divagações literofilosóficas. Ademais, preciso, mesmo, expressar meu encanto por quem é capaz de fazer amplos resgates de temas profundos na banalidade do cotidiano. Uma ousadia que é-me, profundamente inspiradora. São respostas aos grandes dilemas da atualidade, mas respostas que trazem o elixir de grandes magos, literatura que não se encerra na última página, na última linha, mas que nos proporciona ao seu término, aquela insustentável leveza do ser, um incômodo leve, um sentimento de congruência e de compreensão...
Aqui, vale ressaltar, não me refiro apenas aos intérpretes contemporâneos do pensamento magistral da nobreza literária de grandes gênios do pensamento, mas refiro a estes tantos "anônimos" que caminham para além das superfícies rasas, daqueles que não tem qualquer receio em parecer insanos ou excêntricos em meio às suas divagações literofilosóficas. Ademais, preciso, mesmo, expressar meu encanto por quem é capaz de fazer amplos resgates de temas profundos na banalidade do cotidiano. Uma ousadia que é-me, profundamente inspiradora. São respostas aos grandes dilemas da atualidade, mas respostas que trazem o elixir de grandes magos, literatura que não se encerra na última página, na última linha, mas que nos proporciona ao seu término, aquela insustentável leveza do ser, um incômodo leve, um sentimento de congruência e de compreensão...