O cortejo fúnebre
Negro
Corpos dilacerados
Vermelho vivo
A seca
A dança da morte
Tantos tons de vermelho
A arte obscurecida
Tons acinzentados e
Tons avermelhados
incompatíveis, mas vívidos
Nas telas os tiros
nos tiros o grito
no grito o desespero
desperante da discórdia.
A miséria em vermelho
O negro miseravelmente em vermelho
O mundo dos homens
fundou império entre o vermelho e o negro
Não há inspirações para a fuga
É a poesia assassinada
a Arte deslocada do belo e do sublime
para os abismos da tortura e da miséria
mares em vermelho-negro
encobrem a mata verdejante
mata que não é mais mata
por isso mata a natureza romântica
em serras cinzentas explodindo em vermelho
Na tela uma mostra de ausências
abandonos, há cheiro de morte
Aonde é que foram parar as cores do arco-iris?
Somos seduzidos pelas realidades
em cinza e vermelho
Nacionalistas e patriotas
conformados com
o vermelho e o negro
Artistas do absurdo humano
Escultores da tragicidade
Telas que reproduzem a caótica mesmisse
que apriosiona memórias doentias
em livros acinzentados
condecorados de dálias negras
Repentistas de tantas mortes
Projetistas de tantas mazelas
Proclamaram a morte das artes sublimes
por meio de um nacionalismo em vermelho
que faz da perdição a única condição
que nega a vida em poesia
que debocha da persistência do belo
Brasil em vermelho e negro
sorri doentemente para o infortúnio
Idiotalizado pelas tipologias nacionais
da deformação, da vulgaridade, da perfídia...
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