sábado, 10 de janeiro de 2015

A gramática literária de um incessante querer(-te)

Quisera eu poder fazer de ti, o protagonista dos cenários que de tanto desejar-te, fez de mim prisioneira de eternas reticencias, consumada pelas exclamações de tua magistral presença em meio ao desvario de interrogações infinitas. És minha sina estar aqui no desafio de decifrar-te, de mergulhar nos teus mares, a arrancar-lhe teus mistérios pois tu sempre foste incógnita para minha ignóbil compreensão. Como vencer o abrupto desvario que me me atinges quando toda estrofe converte-se em linhas suspensas no ar?  

Tua linguagem és sempre uma harmoniosa sequência de versos ritmados, de expressões poéticas que se desnudam na atmosfera de um incessante querer(te). Quando exclamas tuas vontades, é inevitável curvar-me ao enlevo de teus aforismos, àqueles que soam-me como clássicos cânticos de exuberante nobreza.

Flui em mim este incessante desejo que rompe com o silêncio de pontos finais que demarcam os limites do adentrar-te ao teu mundo. Mas tu deste a liberdade de uma crônica para que eu fosse capaz de percorrê-lo e, assim, tu se transformaste em conto escrito sublimemente dentro de mim. 

Preencho-me de teus adjetivos sublimes, sucumbindo quase que involuntariamente ao prenominal possessivo dos desejos teus.  Encontrei-te, um dia no pretérito mais que perfeito mas fiz de ti o futuro do meu presente, porque mesmo no aparente silêncio das ausências, sei que o badalar dos sinos na manhã seguinte anunciará a aurora do teu retorno. Na certeza de que estás sempre entre as lembranças do meu pretérito e os anseios do meu futuro, tudo que me resta é fiar-te aqui nestes instantes me restam de um presente que nos escapa a cada segundo. 


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