O tédio e a angustia - conceitos em que inúmeros filósofos se debruçaram ao longo de suas reflexões, análises e dissertações - talvez marque toda a trajetória da humanidade, dado o sentimento de que falta-nos algo, aquela sensação nauseante que nos impele a questionamentos, vale dizer, perigosos, tendo em vista que em determinados estágios da consciência, podemos não estar preparados para buscarmos e aceitarmos as respostas [ainda que frágeis, temporárias e contingentes].
No entanto, se o tédio e a angústia são alvos do manual de soluções para as crises da subjetividade do homem, é certo que sem estas sensações, jamais iriamos de encontro ao Ser, permanecendo nas superfícies rasas do mundo tecnocrático e utilitarista onde, no final de tudo, acabaríamos sendo consumidos, devorados pelas próprias formas de proteção que criamos, pelas próprias utopias e soluções de bem-estar e conforto que a vida moderna oferece em larga escala. Contudo, resta-nos avaliar se estas "soluções"são capazes de, verdadeiramente, devolver-nos certas doses de bem-estar, harmonia e alegria, mesmo temporárias. Ao que parece, as respostas que nos confortam, não passam de anestésicos para a nossa consciência e para a urgência e os excessos de nossas emoções e sentimentos que conclamam, a todo momento, ações, escolhas, decisões, as quais muitas vezes nos sentimos demasiadamente impotentes para administrá-los
Tempos contemporâneos marcados por sintomas fruto, em grande medida, da nossa cega submissão às formas padronizadas do bem saber viver e do nosso pavor frente à melancolia. Em geral, as profundidades nos assustam e, no fundo, tememos ser consumados pelo oceano de ditos, entreditos e não ditos que revelam a nossa fragilidade e finitude diante de tudo e de todos. São, pois, em vão cada um de nossos esforços diários para parecermos fortes e insubstituíveis. Aprendemos muito sobre o mundo na velocidade da informatização, porém, muito pouco sabemos de nós mesmos. Vivemos nas superfícies o conforto das ilusões paradisíacas que tentam preencher o vazio, as lacunas da nossa incompreensão. É-nos, pois, terrível a ideia da finitude e da contingência e, temos disfarçado esse grande temor com uma infinidade de ocupações destituídas de significado,
O surgimento da náusea [sartreana - vale abrir o parênteses], ou seja, da angústia perante à constatação de que nada jaz, de que nada se apresenta concretamente e definitivamente, estando tudo fadado ao acaso, à finidade - não apenas cronológica, mas existencial - nos leva a crer que nada nos resta nem no início de todas as coisas, ou seja, nas essências, tampouco, na finalidade de todas as coisas, ou seja, em sua utilidade. Eis, então, que surge o Ser inexorável, o ser que é na medida em que se apresenta [para utilizar a conceituação heideggeriana], ou seja, nada é digno de elogio, espanto, encantamento, senão, o Ser em suas múltiplas expressões. Não é, pois, a essência ou a natureza humana dignas de celebração, afinal, seríamos nós capazes de definir esta 'substância'? Em grande medida, essa essência tomada como objeto privilegiado das teologias, das ciências humanas e, mesmo, pelas correntes filosóficas idealistas nada diz a respeito do ser, não o define na medida em que criam-se modelos idealizados do humano, como se fosse possível prever a manifestação do ser, moldá-lo e predizer o seu destino.
Na leitura sartreana, o Ser precede a essência...o que vale dizer, em outras palavras, que o elogio à virtude humana recaí sobre a realização do Ser enquanto ser, não de um suspeito "vir a ser", ou melhor, não de uma receita pronta das potencialidades do ser, embora todos nós estejamos certos de que o que somos é, absolutamente, transitório. Apenas devemos lembrar que, a priori, nada nos define, nada há anteriormente para nos apoiar, para dizer quem somos. É, talvez sejamos aquele que caminha sem tocar o solo, absorvido em profundidades abstratas, sem roteiros prévios e, por isso, é-nós responsabilidade primordial construirmos a nós mesmos sabendo que há os temporais a nos desmoronar e, assim, a todo momento somos obrigados a nos confrontarmos. Esqueçamos pois, as origens, os fundamentos ou princípios primeiros, pois o que existe antes do ato é o nada, a medida mais justa para a experiência humana de ser, pois nada, de fato, seríamos em nossa autenticidade mais pura, se fossemos o desabrochar de uma mera utopia.
Por mais que nossa espécie tenha lutado por provar sua superioridade e uma essência divina moldada às semelhanças do que jaz de mais nobre, a verdade é que somos perceptíveis apenas através do que projetamos. Não temos um início ou fim, pois começos e fins se colidem a todo momento e, estamos cá, nos equilibrando sobre uma fina corda entre risos e temores, vivenciando a náusea da inconcretude de todas as coisas, pois nada nos foi dado e confirmado a priori, o que explica as forças acionadas pelo poder da nossa mente e das nossas percepções. De nada vale o discurso poético dos românticos sobre a alma, os sentimentos, as emoções e os afetos sem a expressão concretizada pelo Ser que cria, age e transforma. Alma é a própria expressão do humano, demasiado humano.
Na leitura sartreana, o Ser precede a essência...o que vale dizer, em outras palavras, que o elogio à virtude humana recaí sobre a realização do Ser enquanto ser, não de um suspeito "vir a ser", ou melhor, não de uma receita pronta das potencialidades do ser, embora todos nós estejamos certos de que o que somos é, absolutamente, transitório. Apenas devemos lembrar que, a priori, nada nos define, nada há anteriormente para nos apoiar, para dizer quem somos. É, talvez sejamos aquele que caminha sem tocar o solo, absorvido em profundidades abstratas, sem roteiros prévios e, por isso, é-nós responsabilidade primordial construirmos a nós mesmos sabendo que há os temporais a nos desmoronar e, assim, a todo momento somos obrigados a nos confrontarmos. Esqueçamos pois, as origens, os fundamentos ou princípios primeiros, pois o que existe antes do ato é o nada, a medida mais justa para a experiência humana de ser, pois nada, de fato, seríamos em nossa autenticidade mais pura, se fossemos o desabrochar de uma mera utopia.
Por mais que nossa espécie tenha lutado por provar sua superioridade e uma essência divina moldada às semelhanças do que jaz de mais nobre, a verdade é que somos perceptíveis apenas através do que projetamos. Não temos um início ou fim, pois começos e fins se colidem a todo momento e, estamos cá, nos equilibrando sobre uma fina corda entre risos e temores, vivenciando a náusea da inconcretude de todas as coisas, pois nada nos foi dado e confirmado a priori, o que explica as forças acionadas pelo poder da nossa mente e das nossas percepções. De nada vale o discurso poético dos românticos sobre a alma, os sentimentos, as emoções e os afetos sem a expressão concretizada pelo Ser que cria, age e transforma. Alma é a própria expressão do humano, demasiado humano.
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