As urgências humanas são infinitas e a tendência a querer reter a experiência da existência em fragmentos controláveis, renega uma das leis fundamentais da vida: a de que tudo é movimento e, que inevitavelmente, a transformação se impõe como tônica para o desabrochar da vida.
Contudo, não há como cercear o eterno movimento, o eterno retorno Nietzchiano.
Aprende-se, com isso, que os instantes felizes ou trágicos são meras pinceladas de um imenso quadro que pode ser tudo, menos estático.
Aprende-se que promessas não são mais que delongas erguidas sobre solos frágeis; o tempo tende a arrebatar as construções do futuro.
Aprende-se ainda que as urgências de tão ávidas por respostas, tendem a explodirem em chamas. Ardem e fazem ardor na pele para, então, converter-se em cinzas.
E perdura a incessante insistência em tornar palpável momentos e memórias.
Retê-las no âmago da existência é a mais dura das provas que, em geral, não acabam bem. Não vês que momentos são pedaços de essências com tempo de vida curto, os quais não podem ser mantidos inalterados em recipientes sufocantes?
Humilha-te e machuca-te quando, em sua miserabilidade interna, insiste em solidificar o fluxo das coisas, de conter o escoamento daquilo que foi mas que não jaz mais da mesma forma. Já constatava o filósofo pré-socrático Heráclito que "Não é possível se banhar duas vezes num mesmo rio".
Estamos a cavar os abismos dentro de nós mesmos e a procurar, cegamente, o que poderá preenchê-los. Não entendes que a vida escapa dos invólucros inúteis que forjamos?
Eis o problema de se pensar em demasia e sentir bem pouco. A nossa racionalidade extrema faz de nossa experiência existencial um laboratório no qual acreditamos ser capazes de controlar sem que, no entanto, se perceba como a vida flui através do espírito, que a nossa mente é a responsável pelo inferno e pelo paraíso da tua existência.
Não paralise teus instantes, mas permita-se senti-los no fluxo de consciência cósmica da vida.
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