sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ascensão do acender do Natal: a poética noturna

Natal sempre é sinônimo de luzes, de ornamentos brilhantes, de enfeites cintilantes. Nesta época ruas, casas, comércios e outros estabelecimentos costumam representar o espírito natalino através da disposição de pequenos artefatos brilhantes ou que emitem intermitentemente uma alternância harmoniosa de luzes coloridas a partir do entardecer. Nesse período, as noites são mais iluminadas e a atmosfera noturna ganha novos traços e novas camadas, projetam-se feixes de luzes coloridas e o véu de prata que recobre as esquinas nos dá a impressão de que a noite vela o sono das árvores. É da poética noturna a que me refiro. As noites de Natal lembram cenários improváveis ao clima tropical que predomina nesta imensa ilha artificial, diferentemente do acinzentado cenário cosmopolita, na época natalina tem-se a imagética glacial de terras de contos de fada: há ícones de pinheiros, renas, bonecos de neve e tantos outros personagens que ruborizam a face das ruas. Muitos lugares se rendem à magia do Natal e, assim, assemelhavam-se a imensas fábricas de brinquedos. Nestas, vemos sonhos pueris acalentados em pequenas casinhas, presépios e jardins. Haviam sensações e aromas que traziam doces nostalgias do baú de brinquedos antigos que há muito se fora. 
Nas ruas, é intrigante notar como a natureza alegra-se com o festival mesmo em seu natural e aparente silêncio; tem-se a vivacidade de traços e formas que exibem a sua delicadeza e a sua poética. Flores de cores diversas despertam do anual sono pós-primaveril para decorar o espetáculo noturno. Lagos, chafarizes e riachos banhados pela prata da noite bailam em curiosas coreografias e as águas surgem espumantes a venerar este festival mágico de cores e nuances.
Neste ano o ritual das águas não se cumpriu: não tivemos chuvas a pratear o asfalto, mas eu me recordo de tempos em que a chuva anunciara o Musical, o espetáculo de luzes, a noite diamantina que acendia lembrando que era hora do estrelato, hora de brilhar e de deixar-se brilhar.
Ainda aguardava-se os anseios pela estrela-cadente, aquela que, ao atravessar o céu, escreveria no destino os pedidos dos sonhadores. Esperavam-se chuvas de cometas  a assinar no céu os desejos do espírito.
Desejo, pois, diárias noites natalinas, noites em suspiros poéticos, noites que se desnudam em tecidos cintilantes e acedem os santuários da alma. Noites que emanam exuberâncias lunares, noites que se banham na aura cristalina de mares adormecem nas entranhas do firmamento.


Que seja Natal em céu, terra, mar e alma...

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