Tornara-se, enfim, notável escritor
Fadigado pelos pesares passados
Não desejava mais falar sobre a dor
Desejou flores e fez-se a primavera
Despossado de suas ilusões
Não restara uma única quimera
Era, enfim liberdade, liberdade!
A agradabilíssima sensação
da legítima possibilidade
Em pouco, alcançaria as montanhas
Nela pousaria para descansar
Para depois exercitar suas novas façanhas
Mas havia um preço alto a se pagar
Por uma genuína liberdade
A toda calmaria haveria de renunciar
Abandoná-lo-ia uma vida construída
De muros firmes e intransponíveis
De paredes impenetráveis
De ruídos improváveis
Teria ele a coragem de ser?
De ver toda a proteção perecer?
De toda a certeza esvaecer?
Tivera de entregar-se ao desconhecido
Ao etéreo e surreal
Não havia destinos seguros
Era preciso crer no irreal
Assim escolhera, assim consentira
Era o anuir de um novo nascimento
Não ousou pensar e, assim, partira
Foi. Foi-se, de súbito
Uma enorme clareira se abrira...
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