domingo, 21 de dezembro de 2014

Confidências à meia-noite (II. Da coragem de ser)

Tornara-se, enfim, notável escritor
Fadigado pelos pesares passados
Não desejava mais falar sobre a dor


Desejou flores e fez-se a primavera
Despossado de suas ilusões
Não restara uma única quimera

Era, enfim liberdade, liberdade!

A agradabilíssima sensação
da legítima possibilidade

Em pouco, alcançaria as montanhas

Nela pousaria para descansar
Para depois exercitar suas novas façanhas

Mas havia um preço alto a se pagar
Por uma genuína liberdade
A toda calmaria  haveria de renunciar


Abandoná-lo-ia uma vida construída
De muros firmes e intransponíveis
De paredes impenetráveis 
De ruídos improváveis

Teria ele a coragem de ser?
De ver toda a proteção perecer?

De toda a certeza esvaecer?

Tivera de entregar-se ao desconhecido
Ao etéreo e surreal
Não havia destinos seguros
Era preciso crer no irreal

Assim escolhera, assim consentira
Era o anuir de um novo nascimento
Não ousou pensar e, assim, partira


Foi. Foi-se, de súbito
Uma enorme clareira se abrira...


Nenhum comentário:

Postar um comentário