Cambaleando semi-consciente, sufocava-se pelos grilhões
Com a alma suspensa entre a realidade e o delírio
Estes eram seus dias de intenso martírio
Seus dias pendulavam entre o tédio e a aflição
Desde muito cedo optara pelas garantias da resignação
Sobre si mesmo, nada sabia, não arriscava um palpite
E quando a alma gritava, não era bom ouvinte
Havia dias que ressentia-se com a absoluta indiferença
Tudo provocava-lhe a sensação de despertença
Sentia o progressivo esvaecer sensorial
A letargia e a paralisia emocional
De tanta escassez
Seu rosto, seus músculos e sua pele
Foram tomados por uma abrupta languidez
O semblante comprovava a morbidez
Projetara uma vida decadente
Ausente de si, um desconhecido
Vagava sem norte com um indigente
Achava que era castigo merecido
Achava que era castigo merecido
Na boca, o persistente sabor amargo
De um dizer engasgado
Ininteligível era o seu expressar
De tanto negar-se, ousou não mais pronunciar-se
Um dia, numa fração de segundos da meia-noite
De um dizer engasgado
Ininteligível era o seu expressar
De tanto negar-se, ousou não mais pronunciar-se
Um dia, numa fração de segundos da meia-noite
Acontecera o inexplicável
Por dentro a alma jazia trêmula após o açoite
Compreendera o indecifrável
A princípio, muita relutância
Não estava preparado para tal circunstância
Mas descobrira ter asas
Voar era preciso
De súbito, entendera não pertencer às superfícies
Era necessário voar alto, entre outras planícies
Não estava preparado para tal circunstância
Mas descobrira ter asas
Voar era preciso
De súbito, entendera não pertencer às superfícies
Era necessário voar alto, entre outras planícies
Até encontrar o seu lugar
Mas era as montanhas que desejava alcançar
Precisava de coragem para voar mais alto
Como num despertar de um sonho
Onde o que está em jogo é o salto
Mesmo sem a certeza das asas
Precisava de coragem para voar mais alto
Como num despertar de um sonho
Onde o que está em jogo é o salto
Mesmo sem a certeza das asas
Veio-lhe, por fim, a iluminação
Dos Deuses experimentou a veneração
Dos Deuses experimentou a veneração
E não havia mais razão para a miséria
Apenas a indescritível atmosfera etérea
Transcedeu para não mais se perder
Quando a vida decide brincar de viver
Dando-lhe obscuras provações
Amanhecera...
E seu corpo jazia aliviado
Descansando após o que sucedera
Acordara de súbito e viu-se livre
Transcedeu para não mais se perder
Quando a vida decide brincar de viver
Dando-lhe obscuras provações
Amanhecera...
E seu corpo jazia aliviado
Descansando após o que sucedera
Acordara de súbito e viu-se livre
Sentiu o dissipar de tantos "nãos"
Com a pena e o tinteiro nas mãos
Despertara com lágrimas nos olhos
Com a pena e o tinteiro nas mãos
Despertara com lágrimas nos olhos
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