Talvez os grandes desafios humanos seja a afirmação da própria autenticidade de Ser...de não nos alienarmos, de não nos fragmentarmos ante as injúrias e aos julgamentos de outrem.
O doce ato de dizer 'Não' a quaisquer inconveniências, a liberdade de negarmos aquilo que nos nega, de dar um basta ao que nos anula, de varrermos toda a poeira de aborrecimentos excessivos que nos consomem...
As opções, orientações, conselhos, sugestões e indicações que recebemos, em muitos casos, são demasiadamente patéticas e, por isso, jamais farão parte do meu projeto existencial, pois em meus gestos e em toda a minha capacidade expressiva, o que quero, verdadeiramente, é ascender-me para uma experiência íntima da minha alma. Movo-me em direção aos ventos que dela insurgem e quanto mais incónitas ela me traz, mas sinto estar no caminho certo. Isso porque minha sede por liberdade e autenticidade tem levado-me a mais humilde e redentora das constatações: de que duvidar ou não entender seja o sinal de que estou enveredando-me pelos ventos certeiros. Existe, pois, liberdade mais autêntica do que aquela que nos traz inconclusões, temporalidades e incertezas?!? Não conheço liberdade mais redentora do que aquela que nos tira a superfície de convicções imutáveis e de circunstâncias estáticas. Só a comunicação sublime com a alma é capaz de nos proporcionar verdadeiros saltos qualitativos em nosso percurso existencial.
Aprofundo-me na experiência não apenas de olhar para dentro [tarefa que há anos me dedico], mas de estar realmente dentro desta atmosfera onde a nossa vida acontece a partir de minhas próprias leis. Nesse sentido, receber as tórridas mensagens vindas de fora num momento íntimo de pura cumplicidade e complementaridade seria, sem sobra de dúvidas, a maior de todas as traições para comigo mesma.
De porte de mim EM mim, informo que me encontro distante, cada vez mais distante de tuas palavras de nulidade. Tenho metas incontáveis e aspirações demasiadamente profundas. Ando tão ocupada de mim que abrir-me para a verdade alheia já não me é útil ou interessante.
Estou a navegar por mares distantes e atravessar as nuvens de baunilha no céu que acorda em entusiasmo. De ti, de vocês todos que jamais souberam interpretar a singularidade do meu mundo, eu peço apenas silêncio. Não ouse, pois, provocar ruídos se não fores capaz de encantar-me com sabedoria.
Doravante, sei que há muitas escolhas a serem feitas e muitas outras a serem desfeitas. Ainda preciso esvaziar-me dos tantos excessos tóxicos que acinzentam os meus dias. E, por isso, rogo aos céus a profunda dimensão do vazio... vazio que se revela por meio de presenças indizíveis, presenças produtoras de sentidos anímicos. Presença que não é simplesmente etérea, mas que se afirma em solidez porque pega-me nos braços e ensina-me a voar...
Se me veres por aí, saiba que estou de passagem, ocupada por ocupar-me seriamente comigo mesma, comprometida com sonhos mais altos e desejos mais profundos.
(...) Porque naquele dia, naquela fração de segundos que definiria o meu destino, eu escolhi a mim!
Todos os palcos se esvaziaram diante de mim e todo o silêncio revigorava-me a alma. Foi meu juramento, minha redenção e a mais significativa de todas as absolvições que pude declarar-me. Não deixarei-me mais à deriva, à espera [espera de quê?! - espetava-me a lucidez da alma].
Escolhi genuinamente a mim, em mim e, desta vez, há de ser para sempre!
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