Conhecer(-se), espantar-se, intrigar-se, expandir-se...
Ao menos para mim, esta sequência sintetiza alguns passos muito importantes que eu tenho notado ao longo desta minha saga em busca do conhecimento tanto das coisas que me são atrativas quanto daqueles momentos meditativos em que o objeto de nossa busca não é nada mais e nada menos do que a nós mesmos, a odisseia em torno do nosso centro interior onde habita o nosso Eu Superior, o Self, enfim, muitas denominações foram atribuídas de acordo com a perspectiva de análise.
Sabe-se que a Filosofia nasceu do espanto e, de certa forma, somos todos filósofos nas veredas da vida terrestre. O conhecimento só é capaz de edificar-se a partir do instante em que algo nos impele e de que a resolução [esta, sempre temporária] deste será a fonte a qual nos voltaremos outras vezes para dela beber. Assim ocorre com todas as ciências. Espantar-se e intrigar-se são dois pressupostos fundamentais para que o "eu" hoje seja maior do que fora há pouco. Expansão é fruto dessa capacidade quase inconsciente de nos intrigarmos e percorrermos o mundo em busca de respostas. Nem sempre precisamos ir muito longe. Nem sempre a viagem é demasiadamente longa.
Sabe-se que a Filosofia nasceu do espanto e, de certa forma, somos todos filósofos nas veredas da vida terrestre. O conhecimento só é capaz de edificar-se a partir do instante em que algo nos impele e de que a resolução [esta, sempre temporária] deste será a fonte a qual nos voltaremos outras vezes para dela beber. Assim ocorre com todas as ciências. Espantar-se e intrigar-se são dois pressupostos fundamentais para que o "eu" hoje seja maior do que fora há pouco. Expansão é fruto dessa capacidade quase inconsciente de nos intrigarmos e percorrermos o mundo em busca de respostas. Nem sempre precisamos ir muito longe. Nem sempre a viagem é demasiadamente longa.
Há muitas formas de se conhecer o mundo e a nós mesmos. Em geral, nossa primeira aventura começa pelo conhecimento das externalidades do mundo físico. Isso é essencial para o amadurecimento progressivo de nossas estruturas cognitivas e, essencial para a maturação emocional. E, como seres, biopsicossociais, precisamos conhecer para termos algum domínio sobre este mundo físico, a fim de que possamos construir experiências fundamentais para o nosso desenvolvimento pessoal, social e afetivo.
Quando nos sentimos um pouco mais confortáveis pela constatação de que nos dispomos de muitas estratégias para conhecer o mundo e nele atuarmos, outros níveis de inquietação insurgem. Alguns escutam um chamado interno, uma voz jovial que deseja-nos proferir contos, crônicas, fatos de nós mesmos. É aquele conto de dentro, sempre repleto de metáforas e de aforismos. A linguagem simbólica que o caracteriza nos leva a querer decifrá-los e, assim, voltamos ao mundo físico para tentar encontrar explicações ou partes que acreditamos ter perdido em nossa jornada. Descobrimos, assim, a nossa capacidade de introspecção, a comunicação sutil com a alma. Normalmente, aquele impulso para fazermos algo significativo no mundo externo, para traçarmos metas, objetivos vem deste chamado interior.
De posse destes recursos, após uma longa jornada que vai desde o nascimento até quase o final da adolescência, somos impelidos ao envolvimento constante em situações e circunstâncias que continue a nutrir a nossa curiosidade, lançando-nos à um labirinto de conhecimentos nos quais vamos filtrando aqueles que consideramos mais relevantes e/ou interessantes à nossa vida. Contudo, por mais que o filtremos nunca teremos a dimensão totalizante daquilo que retemos. A mais ínfima parte de um conhecimento é dotada de infinitos conhecimentos e pensamentos a ela atrelados. Nenhum conhecimento se esgota e, por isso, amantes do conhecimento estão sempre com sede.
Ocorre-me que ao me deparar com um conhecimento novo, o flamejar filosófico logo desperta. Não basta conhecer...é preciso algo mais profundo, mais forte, mais envolvente a nos mover. Espantar-se diante do novo é o que dá sentido tanto ao nosso desejo de conhecer quanto ao próprio desenvolvimento epistemológico de uma ciência, por exemplo. Espantar-se, nesse sentido, é fomentar condições de aplicarmos a nossa criatividade às reflexões que subjaz a nossa experiência com o inusitado. Não existe conhecimentos óbvios. A obviedade que atribuímos a conhecimentos que classificamos como elementares é resultante da nossa constante aproximação destes, algo que já fora superado por outros conhecimentos mais amplos e complexos. Mas já parou para observar como crianças e animais reagem aos mais elementares conhecimentos e fatos da vida cotidiana?
Buscar o conhecimento de maneira desinteressada, como um conglomerado de conceitos, princípios, leis e procedimentos é negar o acontecimento mágico que o conhecimento nos proporciona: as tantas respostas, as evidências, os estados de espírito acionados, as emoções despertadas... Erra quem dissocia o conhecimento das emoções e dos afetos. Falha profundamente quem acredita que o conhecimento muda apenas o mundo físico e não, o mundo dos sentimentos e das paixões. Todavia, quase todos nós podemos notar que quanto mais conhecimentos adquirimos sobre determinados assuntos, especialmente aqueles que, de alguma forma, dizem respeito sobre nossas questões internas, mais, frequentemente, nos sentimos vulneráveis. Por isso que o maior consolo dos tolos, dos desprovidos intelectual e culturalmente seja o de não sofrer as dores do mundo, de não perceber-se em mil pedaços. A alienação só triunfou no contexto da revolução industrial e continua a triunfar em inúmeros contextos da contemporaneidade, porque os homens tem pouco ou nenhum hábito de conhecer e de se espantar. Alguns são profundamente escassos internamente e o conhecimento necessita de certos ventos para poder adentrar-nos. Emoção e conhecimento, são, pois, duas vertentes complementares da experiência humana.
Quando conhecemos e nos espantamos, ficamos intrigados com respostas ou interrogações que pairam sobre as nossas convicções. Isso nos leva a incessante busca por conhecimentos que culminam na expansão [sempre inacabada, certamente] de nosso contexto intelecto-cultural. Nos tornamos mais hábeis na tarefa de saber como e onde buscar os conhecimentos que necessitamos, aprendemos mais sobre o constante devir de todas as coisas e nos tornamos mais independentes e mais ativos. Por isso, nos expandimos internamente. O conhecimento aflora nossos sentidos, aprimora nossas perspectivas de análise, além de nossa capacidade reflexiva.
Destarte, é-me profundamente instigante as aproximações sucessivas do que é incognoscível, pois a aventura de desvelamento do desconhecido e do ininteligível enriquece nossos recursos intelectuais, estimula nossa perspicácia e nos afasta de atmosferas fastidiosas.
A nitescência do saber sempre nos conduz a formas diversificadas de se viver a vida com muito mais entusiamo e possibilidades de usufruto. Creio que a função pedagógica principal do espanto e da intriga do conhecimento é jamais cairmos na depressão ou na inércia de pararmos de nos questionar.
Até no silêncio, muitas vezes, há um sutil questionar.
Não calemos, pois, nossas interrogações, por mais banais que sejam, uma vez que são elas que nos movem e nos transformam.
Conhecer requer mais do que curiosidade: é necessário algumas doses de rebeldia, de atrevimento e, de certa extravagância. Que sentido teria a vida se não pudéssemos fazer estremecer as estruturas rígidas que foram sedimentadas em nosso interior pela disciplina displicente que nos fora imposta?
Não imagino conhecimento sem coragem. Que nos encorajemos, então, nesta arte do construir(-se) e do superar(se), pois somente com a ousadia de um louco, a curiosidade de uma criança e o brilho dos olhos do poeta é que possibilitaremos a nossa infindável expansão como seres desejantes.
Até no silêncio, muitas vezes, há um sutil questionar.
Não calemos, pois, nossas interrogações, por mais banais que sejam, uma vez que são elas que nos movem e nos transformam.
Conhecer requer mais do que curiosidade: é necessário algumas doses de rebeldia, de atrevimento e, de certa extravagância. Que sentido teria a vida se não pudéssemos fazer estremecer as estruturas rígidas que foram sedimentadas em nosso interior pela disciplina displicente que nos fora imposta?
Não imagino conhecimento sem coragem. Que nos encorajemos, então, nesta arte do construir(-se) e do superar(se), pois somente com a ousadia de um louco, a curiosidade de uma criança e o brilho dos olhos do poeta é que possibilitaremos a nossa infindável expansão como seres desejantes.
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